Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Bichos

Volta e meia ouço alguém usar a expressão 'bichinho da rádio', 'bichinho da televisão', 'bichinho da escrita', mas nunca ouvi ninguém falar com igual orgulho de parasitas internos ou externos - algo do género 'já andei por muitos sítios, mas mantenho sempre as minhas lombrigas. Aqueles bichinhos intestinais vão comigo para todo o lado'; ou algo como 'ao meu tio-avô Josefino, já com 90 anos, apareceu-lhe - imaginem - bicho carpinteiro na bengala! Malandro do velhote!' Já imaginaram que catita que teria sido se o Miguel Torga tivesse dedicado um conto de Os Bichos à bicha solitária?!

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Ah pois, é!

Recentemente o artista plástico português José de Guimarães afirmou: «As pessoas costumam criticar a época do esclavagismo, mas hoje vivemos num mundo de escravatura sofisticada. A escravatura realmente não terminou. Há processos de opressão permanente do ser humano».

Ora aqui está uma grande verdade!

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Podia ser anedota, mas não é...


Numa empresa que trabalhava com blocos de pedra entre os 800kgs e os 1000 e tal kgs tinha sido recentemente adquirida uma passadeira rolante, para transporte desses mesmos blocos, que estava 'plantada' no meio da fábrica! Os trabalhadores passavam, nos seus afazeres normais, ao lado e por baixo dessa mesma passadeira. Chega o consultor externo de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho que começa logo a falar da dita passadeira. Respondem-lhe: Eu já sabia que o sr. engenheiro ia falar na passsadeira... mas olhe que toda a gente aqui usa capacete! E com marcação CE!



Se não fosse tão triste dava vontade de rir.

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Expliquem-nos como se fôssemos muito burros

Aqui vai uma preciosidade, que recebi por mail, para quem tem dificuldades em perceber o caos, pânico e horror da economia norte-americana:

"Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue um breve relato econômico para leigo entender...
É assim:
O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo o mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifudeu!"

Perceberam agora?


Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Nem Obama nem McCain!

Eu já tenho o meu candidato favorito às presidenciais norte-americanas!!



Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Ai, que saudades...


... que eu tenho de estar na esplanada do café da Praia das Maçãs: óculos escuros, pernas esticadas e pés na cadeira da frente.

MANIFESTO ANTI-MULTINACIONAIS

(vergonhosamente parafraseado do Manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros)







Basta pum basta!!!

Uma geração que consente deixar-se representar por multinacionais é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a geração!

Morram as multinacionais, morram! Pim!

Uma geração com multinacionais a cavalo é um burro impotente!

Uma geração com multinacionais ao leme é uma canoa em seco!

As multinacionais são ciganas!

As multinacionais são meio ciganas!

As multinacionais saberão gestão, saberão economia, saberão publicidade, saberão fazer marketing, saberão tudo menos lidar com pessoas que é a principal coisa que fazem!

As multinacionais pescam tanto de condições de trabalho que até têm um dia no ano em que ficam a trabalhar até cair para o lado!

As multinacionais são umas habilidosas!

As multinacionais vestem-se mal!

As multinacionais usam ceroulas de malha!

As multinacionais especulam e inoculam os trabalhadores!

As multinacionais são multinacionais!

As multinacionais são internacionais!

Morram as multinacionais, morram! Pim!

(...)

Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta ser como as multinacionais ! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem laborais, nem humanos! (...)

E fiquem sabendo as multinacionais que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar. (...)

Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!

Morram as multinacionais, morram! Pim!



Cátia Whatever
Poeta de um dia quem sabe

Escritora frustrada

E Tudo

2008